Como é o amor de Deus?



Faz-se muita ginástica com a Bíblia. 
Usam-se seus versículos para tudo;
ao mesmo tempo, servem para abençoar a guerra 
como para semear a paz;
para validar mecanismos opressores que perpetuam a pobreza 
como para insuflar a revolta dos excluídos.
Um dos textos mais usados, celebrados e repetidos da Bíblia
é o capitulo 13 da primeira epístola que, Paulo, o apóstolo, 
escreveu aos Corintios.
Talvez este capítulo seja tão celebrado por tratar de um assunto emocionante:
o amor.
Já o ouvi em inúmeros casamentos e sei que já foi musicado por diferentes artistas.
Alguns professores usaram nas aulas em que buscavam me instruir sobre como amar.
Geralmente, usam-se os três primeiros versículos para explicar que o amor 
é muito mais nobre que os dogmas, os carismas e os desempenhos religiosos
“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor,
serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento,
e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei.
Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, nada disso me valerá”. 
Dos versículos 4 a 7, Paulo descreve alguns atributos do amor.
A nobreza da descrição nos humilha em nossa arrogância de dizer que sabemos amar.
“O amor é paciente, o amor é bondoso. 
Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com injustiça, mas se alegra com a verdade. 
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. 
Lindo! repetimos em coro.
Acontece que esta lista não é apenas uma receita para nos ensinar a amar,
ela também indica o jeito como Deus quer bem.
Tentemos acompanhar o pensamento de Paulo projetando-o em Deus.
Se Deus é amor e o amor tudo sofre – ele padece; 
se Deus é amor e o amor tudo crê
– existimos, porque ele ainda aposta na gente;
se Deus é amor e o amor tudo espera
– ele aguarda pacientemente por nós; 
se Deus é amor e o amor tudo suporta
– o sofrimento que se universalizou, produz uma dor incalculável ao seu coração.
Infelizmente a cristandade ocidental preferiu focalizar sua atenção na onipotência divina.
Caso tivesse olhado com mais atenção para seu amor,
compreenderia melhor quem foi Jesus e o que veio fazer aqui na terra.
Nunca tenhamos medo de dizer que o amor de Deus é frágil,
como frágeis são todos os genuínos amores.
Lembremos que Jesus chorou sobre a impenitente Jerusalém,
e que deixou ir embora um jovem rico que muito amou.
O que nos atraí em Cristo?
Espero que não sejam as descrições de sua majestade, mas de sua humildade –
O Pai só lhe deu um nome que está acima de todo o nome 
porque viu que ele jamais cobiçou poder, mas servir.
Ele não desejou um trono, mas uma cruz.
O Deus encarnado expressou, com mansidão e humildade, 
o jeito frágil e terno como o Pai ama a humanidade.
Os deuses que tentam se impor pelo mistério, 
pela manifestação de poder e pelo mágico, são ídolos.
Os cristãos pregam a Cristo crucificado.





Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondin

Um comentário:

Cleonice Luiza Moreira de Sá disse...

É a primeira vez que visito o seu blog, gostei mesmo, vou segui-lo!

Seu post nos faz refletir, devemos amar a Deus pelo que Ele é e não pello que pode nos dar.

a paz de Cristo!

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